Alfredo de Freitas Dias Gomes (Salvador, 19 de outubro de 1922 — São Paulo, 18 de maio de 1999), ou apenas Dias Gomes, como ficou conhecido, produziu uma extensa dramaturgia. Transitou pelo teatro, pelo rádio e pela televisão. Bem no início de sua carreira, aos 15 anos, sua peça A Comédia dos Moralistas ganhou um prêmio do Serviço Nacional do Teatro. Esse era apenas o começo da brilhante jornada de um escritor, cuja obra foi escrita com fortes pinceladas de realismo fantástico e crítica social.

Na década de 1940, trabalhou como autor para a companhia do ator Procópio Ferreira. Nesse mesmo período, começou a elaborar diversos textos para produções radiofônicas, ofício que continuou até meados dos anos 1960. Porém, não deixou o teatro de lado: é de sua autoria a peça O Pagador de Promessas, de 1960.

Filiado ao Partido Comunista Brasileiro, a partir de 1964 enfrentou muitos problemas com a censura e chegou a se desligado da Rádio Nacional, em 1969, apesar de suas radionovelas obterem grandes índices de audiência.

Iniciava-se, assim, a inserção de Dias Gomes no mundo da televisão, sob o pseudônimo de Stela Calderón. O nome adotado pelo novelista consistiu em uma astuta estratégia para escapar da fiscalização da censura implantada pela Ditadura Militar. Foram muitas as novelas e minisséries escritas por ele, muitas das quais marcaram gerações inteiras de espectadores. As personagens que criara caíram no gosto do público tanto pelas características com que foram construídas, mas também por falarem de assuntos que lhes eram caros e muito presentes em seus cotidianos (alguns dele continuam sendo). Sua vasta e diversificada obra permanece bastante atual e, por isso mesmo, necessária para uma compreensão dos aspectos socioculturais mais profundos do Brasil.