Descrição
Ao retratar a vida moderna por meio da prosa poética, Charles Baudelaire encontra na pintura um de seus aliados para a criação de cenas e narrativas. Interrogando as interfaces entre a literatura, a pintura e a sociedade em Le Spleen de Paris, este artigo se propõe a estudar os recursos presentes nos poemas “Le gâteau”, “Les yeux des pauvres”, “Le joujou des pauvres” e “Le vieux saltimbanque”, enfatizando a ambivalência que caracteriza a modernidade baudelairiana. Para tanto, após revisar a importância da pintura no itinerário do poeta e a inovação estilística da obra estudada, desenvolve-se um comentário sobre os poemas elencados. Dessa análise, sugere-se que Le Spleen de Paris constitui tanto uma experimentação estética quanto uma reelaboração poética e ambivalente da realidade.||By portraying modern life through poetic prose, Charles Baudelaire finds in painting one of his allies for the creation of scenes and narratives. Questioning the interfaces between literature, painting and society in Le Spleen de Paris, this article proposes to study the resources present in the poems “Le gâteau”, “Les yeux des pauvres”, “Le joujou des pauvres” and “Le vieux saltimbanque”, emphasizing the ambivalence that characterizes Baudelaire's modernity. Therefore, after reviewing the importance of painting in the poet's itinerary and the stylistic innovation of the studied work, a commentary is developed on the listed poems. From this analysis, it is suggested that Le Spleen de Paris constitutes both an aesthetic experimentation and a poetic and ambivalent reworking of reality.