Descrição
A colonização alemã no sul do Brasil teve início em 1824, e moldou, de forma permanente, a paisagem natural e cultural desta região. Devido a políticas específicas gerenciadas pelas classes políticas brasileiras nos séculos XIX e XX, os colonos alemães se estabeleceram no interior do sul do Brasil, onde ocuparam paisagens densamente florestadas. Estas florestas (que os imigrantes chamavam de Urwald) faziam parte do bioma da Mata Atlântica, e, em geral, não eram limitadas por nenhum tipo de lei ou direito formal nacional/imperial. Além disso, os colonos alemães adquiriram, com o tempo, plenos direitos de propriedade privada sobre o solo florestado. O resultado deste conjunto institucional causou profundas mudanças ecológicas, mas também originou formas específicas de vida comunitária e padrões de assentamento, que podem ser parcialmente atribuídos aos enquadramentos culturais do campesinato alemão e ao crescente controle estatal sobre os recursos florestais, mineiros e agrícolas. Assim, este texto pretende associar aspectos da propriedade da terra (especificamente a propriedade em solo florestal), vida comunal e estruturas de assentamento de forma binacional (Alemanha e Brasil), observando tal processo no Brasil meridional.