Descrição
Candomblé terreiros are territories shaped at the crossroads of the Afro-diasporic experience. These sites possess specific territorialities and recreate, within the Alto Sertão region of Bahia, the possibility of worshiping the ancestors (Egungun and Caboclos), the Orixás, and the Ibejis. However, these territorialities continue to be threatened — no longer by the force of law as in the past, but by the pervasive racism embedded in society, which aligns itself with the advance of wind energy enterprises. The installation of such projects in the territory has triggered intense real estate speculation, which in turn exacerbates processes of expropriation, as was the case in 2024, when machinery invaded the sacred land of the Ilé Àṣẹ Ojú Oòrùn and Ilé Àṣẹ Aiye ti Azoani terreiros in Caetité, Bahia. However this expropriatory movement also gave rise to a collective response, as the religious community mobilized to defend its territory. This mobilization led to the creation of a counter-colonial cartography capable of affirming their Afrographies within the city of Caetité, thereby strengthening the resistance and political agency of the aforementioned terreiros. This article centers on that movement, structuring itself according to the four moments of the Bakongo Cosmogram, inviting the reader to engage with it through a spiral perception of time and space.
Keywords: Ilé Àṣẹ Ojú Oòrùn; Ilé Àṣẹ Aiye ti Azoani; Counter-colonial cartography; Afrography; Territorial expropriation.||Os terreiros de Candomblé são territórios gestados na encruzilhada afrodiaspórica. Esses locais possuem territorialidades específicas e recriam, dentro do Alto Sertão da Bahia, a possibilidade de cultuar os ancestrais (Egungun e Caboclos), Orixás e Ibejis.
Contudo, essas territorialidades continuam sendo ameaçadas, não mais pela força da Lei, mas pelo racismo que permeia a sociedade e se alia à atuação de empreendimentos de energia eólica. A instalação desses projetos no território provoca intensa especulação imobiliária, o que acentua ações de expropriação, a exemplo do que ocorreu em 2024, quando máquinas invadiram o território sagrado dos terreiros Ilé Àṣẹ Ojú Oòrùn e Ilé Àṣẹ Aiye ti Azoani, em Caetité, Bahia. Entretanto, esse movimento expropriatório também gerou uma resposta comunitária, com o povo de santo se mobilizando para defender seu território. Isso resultou na criação de uma cartografia contra-colonial, capaz de afirmar suas afrografias na cidade de Caetité e fortalecer a resistência e ação política dos terreiros mencionados. É sobre esse movimento que o presente artigo se debruça, organizando-se nos quatro tempos do Cosmograma bakongo, o que convida à sua leitura através da percepção espiralar do tempo-espaço.
Palavras-chave: Ilé Àṣẹ Ojú Oòrùn; Ilé Àṣẹ Aiye ti Azoani; Cartografia contra-colonial; Afrografia; Expropriação territorial.