Descrição
No presente artigo, investigamos as possíveis dimensões cristãs da luz e da sombra que permeiam a direção de fotografia audiovisual do longa-metragem Quando eu era vivo (2014), do diretor brasileiro Marco Dutra. Por meio de um procedimento comparativo, confrontamos a fotografia do filme com diferentes práticas cristãs da luz anteriores ao século XVIII. A partir disso, argumentamos que a construção luminosa do filme ecoa determinados sentidos, valores e estratégias da luz e da sombra ligados à religião cristã. Em específico, buscamos entender de que modo o conceito teológico de economia, tal como estudado por Giorgio Agamben e Marie-José Mondzain, pode contribuir para iluminar a compreensão de algumas estratégias emocionais que mobilizam a luz e estão presentes nos diferentes objetos estudados. Embora não desejemos, de forma alguma, generalizar os resultados de nosso estudo, ambicionamos, a partir dele, não apenas tensionar de que modo a fotografia audiovisual se insere em uma produção imaginária mais ampla — da qual se torna inseparável —, mas também desnaturalizar os possíveis sentidos, valores ou relações de poder veiculados, estimulados ou instaurados por meio de certas práticas luminosas audiovisuais.||In this article, we investigate the possible Christian dimensions of light and shadow that permeate the audiovisual cinematography of the feature film When I Was Alive (2014), by Brazilian director Marco Dutra. Through a comparative procedure, we compare the film's direction of photography with different Christian practices of light prior to the 18th century. Based on this, we argue that the film's luminous construction echoes certain meanings, values, and strategies of light and shadow linked to the Christian religion. Specifically, we seek to understand how the theological concept of economy, as studied by Giorgio Agamben and Marie-José Mondzain, can contribute to illuminating the understanding of some emotional strategies that mobilize light and are present in the different objects studied. Although we do not wish, in any way, to generalize the results of our study, we aim, based on it, not only to stress how audiovisual photography fits into a broader imaginary production — from which it becomes inseparable — but also to denaturalize the possible meanings, values or power relations conveyed, stimulated or established through certain audiovisual lighting practices.