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“Então minha luta é conspiração? Então não existe estupro de crianças?”: uma análise dos atravessamentos de raça e gênero na postura do Ministério dos Direitos Humanos, na midiatização do caso da criança de São Mateus
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Metadados
Descrição
This article focuses on the mediatization of the case of the ten-year-old girl from São Mateus-ES, who was raped and made pregnant by her uncle in August 2020. Our aim is to understand how race and gender dimensions were presented in the stance of the Ministry of Women, Family and Human Rights (MMFDH) during the event. Using a methodological approach inspired in evidentiary paradigm (Braga, 2008), in our analyses we were able to identify how the agents of the Ministry prescribed a vision of surveillance of bodies, fixing the girl in a place of subalternity and mobilizing a set of discourses and actions that establish a racist and sexist vision (Gonzalez, 1988) about the body of the child of São Mateus. We conclude that the state, through the practices of the MMFDH, collaborated to perpetuate cultures of domination, encouraging cisheteropatriarchal capitalist racism (hooks, 2019), by showing concern only for the fetus and disclaiming responsibility for the living girl who was there, with her body, having her existence, once again, dehumanized and vilified.||Este artigo tem como foco a midiatização do caso da menina de dez anos, moradora de São Mateus-ES, que foi estuprada e engravidada pelo tio, em agosto de 2020. Nosso objetivo é compreender como as dimensões de raça e gênero se apresentaram na postura do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), durante o acontecimento. A partir de uma abordagem metodológica inspirada no paradigma indiciário (Braga, 2008), em nossas análises, foi possível identificar como os agentes do Ministério prescreveram uma visão de vigilância dos corpos, fixando a menina num lugar de subalternidade e mobilizando um conjunto de discursos e ações que estabelece uma visão racista e sexista (Gonzalez, 1988) sobre o corpo da criança de São Mateus. Concluímos que o Estado, por meio das práticas do MMFDH, colaborou para perpetuar culturas de dominação, incentivando o racismo capitalista cisheteropatriarcal (hooks, 2019) e negando sua identidade infantil, ao demonstrar preocupação apenas com o feto e se desresponsabilizar com a menina viva que estava ali, com seu corpo, tendo sua existência, mais uma vez, desumanizada e vilipendiada.
Colaboradores
DADO AUSENTE NO PROVEDOR
Abrangência
DADO AUSENTE NO PROVEDOR
Autor
Oliveira, Abraão Filipe Marques de | Euclides, Maria Simone | Mafra, Rennan Lanna Martins | Ruas, Maria Fernanda de Oliveira
Data
24 de novembro de 2024
Formato
Identificador
https://periodicos.ufc.br/passagens/article/view/94439 | 10.36517/psg.v15i2 especial.94439
Idioma
Direitos autorais
Copyright (c) 2024 Passagens: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará | https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
Fonte
Passagens: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará; Vol. 15 No. 2 especial (2024): Dossiê Identidades de crianças e jovens na cultura digital; 10-36 | Passagens: Periódico del Programa de Posgrado en Comunicación de la UFC; Vol. 15 Núm. 2 especial (2024): Dossiê Identidades de crianças e jovens na cultura digital; 10-36 | Passagens: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará; v. 15 n. 2 especial (2024): Dossiê Identidades de crianças e jovens na cultura digital; 10-36 | 2179-9938 | 10.36517/psg.v15i2 especial
Assuntos
DADO AUSENTE NO PROVEDOR
Tipo
info:eu-repo/semantics/article | info:eu-repo/semantics/publishedVersion