Descrição
Este artigo analisa o apagamento da participação de Elis Regina na Olimpíada do Exército de 1972 durante o processo de consolidação de sua imagem como a da intérprete do “hino da anistia” – a saber, a canção “O bêbado e a equilibrista”, composta por João Bosco e Aldir Blanc e gravada por Elis em 1979. Com base em recortes de jornais e revistas contidos no Fundo da Comissão Executiva Central do Sesquicentenário (Arquivo Nacional) e em cartuns publicados no semanário alternativo O Pasquim, procura demonstrar, mais precisamente, como é que esse fenômeno de natureza pontual expressa uma síntese de um movimento mais amplo de construção social de uma memória hegemônica crítica à ditadura militar, que tomou o mito da “resistência” como um elemento de aglutinação da oposição e, consequentemente, conformação das identidades políticas forjadas no decurso da transição democrática.||This article analyzes the erasure of Elis Regina’s participation in the 1972 Olimpíada do Exército during the process of consolidating her image as the interpreter of the “hino da anistia” – namely, the song “O bêbado e a equilibrista”, composed by João Bosco and Aldir Blanc and recorded by Elis in 1979. Based on newspaper and magazine clippings from the Fundo da Comissão Executiva Central do Sesquicentenário (Arquivo Nacional), as well as cartoons published in the alternative weekly O Pasquim, the article aims to demonstrate how this seemingly isolated phenomenon actually reflects a broader movement of social construction of a hegemonic memory critical of the military dictatorship. This process relied on the myth of “resistance” as a unifying element for the opposition and, consequently, as a means of shaping political identities forged during Brazil’s democratic transition.