Descrição
This paper aims to explore how the imminent ethnolinguistic loss of the Amazonas Munduruku people has been portrayed in literature in Canumã: a travessia, Ytanajé Cardoso’s debut book first published in 2019. It is important to analyze the first novel written by an Munduruku indigenous person from the standpoint of postcolonial and decolonial studies, under the theoretical framework of Mignolo (2020). The idea is to strengthen literary studies of indigenous authorship regarding the analysis of works that are detached from the Eurocentric pattern, which serve as a response to the colonizer. The critical perspectives chosen as reading keys make it possible to oppose colonial psychologic domination in knowledge fields. They indicate the need to confront, by means of literary language, realities and discourses that may reproduce subalternities. At the same time, they highlight paths that destabilize canonized aesthetic references.||Este artigo objetiva expor de que modo a iminência da perda etnolinguística do povo munduruku amazonense foi transposta à literatura em Canumã: a travessia, livro de estreia de Ytanajé Cardoso, publicado em 2019. Importa analisar o primeiro romance escrito por um indígena da etnia
munduruku, dentro da ótica dos estudos pós-coloniais e decoloniais, sob fundamentação teórica principal de Mignolo (2020). A intenção é potencializar os estudos literários de autoria indígena no que concerne a análises de obras desvinculadas do padrão eurocêntrico, que servem como resposta ao colonizador. As perspectivas críticas escolhidas como chaves de leitura possibilitam combater a dominação psíquica colonial nos campos do conhecimento. Elas indicam a necessidade de se defrontar, através da linguagem literária, realidades e discursos que reproduzam subalternidades. Ao mesmo tempo, apontam para caminhos que desestabilizam as referências estéticas canonizadas.