Descrição
O grafite está inserido no contexto do Movimento Hip Hop e está presente, principalmente, no espaço urbano, em viadutos, prédios, muros etc, em diversos países, como em Portugal. Assim, o nosso objetivo é analisar o projeto “Visita guiada à Quinta do Mocho”, bairro localizado no município de Loures, área metropolitana de Lisboa (Portugal), e os desdobramentos possíveis em novos projetos discursivos, a partir do nosso olhar, enquanto contempladores (Bakhtin, 2003). Em especial, o nosso foco está em grafites em que mulheres estão sendo retratadas, uma vez que essas mulheres ao mesmo tempo que parecem ser de lugares e de etnias distintos, devido a vestimentas típicas de determinada cultura, podem ser de um mesmo ou de qualquer lugar do nosso planeta, pois vivemos em tempos de muitas migrações, o que pode favorecer a mistura de culturas, religiões, formas de ser e de estar no mundo. Para tal, os pressupostos teóricos e metodológicos são os do Círculo de Bakhtin (2016, 2017, 2019, 2021) sobre dialogismo e atitude responsivo-ativa e de Brait (2009, 2013) sobre verbo-visualidade. A nossa hipótese é a de que, nas imagens retratadas, no bairro social Quinta do Mocho, há dois pontos de vista, duas intenções que podem entram em conflito, como reação à palavra alheia, mostrando uma relação ativa entre os discursos, que vão da vulnerabilidade, risco social, ao empoderamento feminino. Essas imagens revelam que as relações dialógicas se evidenciam nos discursos que são dados a ver, na materialidade dos grafites, e os que se pressupõem a partir da compreensão ativa e responsiva da leitura desses grafites.